Servindo os ideais do Movimento Rosa-Cruz

Perguntas Frequentes

O que é a CR+C?

A Confraternidade da Rosa+Cruz é uma ordem fraternal Rosacruciana e uma escola de misticismo. Nosso objetivo é oferecer um sistema de estudos para as pessoas que sentiram um anseio de dentro de si para avançar conscientemente ao longo do caminho da evolução espiritual. É também necessário compreender que somos mais do que uma escola de misticismo disseminando ensinamentos. Somos uma Ordem iniciática na tradição Rosa-Cruz. Aqueles com mente “tradicional” podem nos olhar como uma cultura tradicional Rosa-Cruz vivendo numa sociedade contemporânea. Ao todo, somos uma organização mística, cultural e educacional dedicada ao avanço espiritual da humanidade.

O que é que vocês ensinam?

A CR+C oferece um programa de estudo sistemático para auxiliar e guiar os estudantes no caminho deles para a verdade espiritual e para a iluminação pessoal.

A partir da perspectiva de nossa tradição, auxiliamos os estudantes a desenvolver uma filosofia de vida de forma que eles se tornem bem sucedidos tanto na busca espiritual, quanto sendo um membro construtivo da sociedade. Ensinamos uma verdade bem reconhecida de que o maior aprendizado vem do Serviço. Através do ensino das leis R+C de integridade moral e de responsabilidade, objetivamos ajudar não só o avanço espiritual do indivíduo, como da humanidade em geral.

A partir da perspectiva do caminho espiritual do estudante, a CR+C ensina uma abordagem mística. É reconhecido que há basicamente duas abordagens para o avanço espiritual — o místico e o oculto. A abordagem oculta utiliza a vontade humana e o intelecto para avançar ao longo do caminho espiritual; a abordagem mística utiliza nossa mente sutil para experienciar diretamente a Fonte de todo o Ser. É esta experiência direta de Deus, da Unidade, ou do Cósmico que os místicos buscam. Em nossa abordagem, auxiliamos o estudante no despertamento para a mente sutil — a mente da alma e do espírito — e a adentrar no mundo do misticismo.

A partir da perspectiva da ontologia, ensinamos o panteísmo místico. Isto significa que a Essência que a tudo permeia infunde todas as coisas, e que todas as coisas são uma parte integral da Essência Única. Ser uma parte da Unidade significa que podemos atingir o conhecimento direto dessa Essência. Este conceito é fundamental para o misticismo.

Reconhecemos o fato de que todo aprendizado deve necessáriamente vir de dentro de cada estudante individual. Portando, devemos dizer que preferimos auxiliar o estudante a aprender por si mesmo. Para esse fim, ajudamos os estudantes a se tornarem pensadores e filósofos independentes que moldam suas próprias crenças.

Finalmente, certamente dividimos algo em comum com todos os místicos, filosófos e cientistas do passado e do presente — a interminável busca do “conhecer o que existe para ser conhecido”.

O que é o misticismo ao qual vocês se referem?

É uma doutrina que afirma que o conhecimento da Unidade onipotente pode ser adquirido através de experiência direta. À luz dessa afirmação, uma experiência mística é o conhecimento individual da Essência, Fonte, ou Deus. É necessário mencionar que a abordagem mística não requer que se possua habilidades psíquicas ou uma compreensão intelectual desenvolvida.

O que é significante sobre uma experiência mística, é que ela é noética. Quando temos uma experiência mística, simplesmente sabemos, não achamos que sabemos, mas simplesmente sabemos. A maioria das vezes, não podemos descrever ou racionalizar claramente essa experiência porque ela transcende nossa realidade e as limitações físicas da linguagem. Entretanto, em nossos corações, sabemos o que percebemos e não há dúvida sobre isso. Em outras palavras, a experiência nos deixa com conhecimento e certeza. O misticismo é a arte de tal conhecimento. É um processo de iluminação.

O que é bastante atrativo a respeito do misticismo é a sua simplicidade. O potencial para o conhecimento existe em todo ser humano e a experiência da iluminação está presente em todo lugar.

Como vocês disseminam seus ensinamentos?

Os ensinamentos da CR+C são disseminados na forma daquilo que chamamos de “monografias”. Monografias são livretos de instrução de apenas algumas páginas. Elas são enviadas trimestalmente, e espera-se que você estude uma monografia por semana na privacidade de sua casa — assim, você recebe 12 monografias por trimestre. É um sistema incremental de estudo pelo qual você progride pelos Graus R+C. Mantenha em mente que os estudos Rosa-Cruzes requerem mais do que uma mera compreensão intelectual dos materiais escritos, eles são um processo de despertamento para os aspectos sutis de nosso ser.

Qual é o propósito do Movimento Rosacruz?

Tradicionalmente, o Movimento Rosa-Cruz tem apoiado a liberdade e a responsabilidade pessoal. A Liberdade de escolher e investigar a Verdade sem medo ou opressão de um corpo governante, com ênfase na responsabilidade pessoal para agir apropriadamente. Eis porque os Rosa-Cruzes têm sempre lutado contra a opressão e a intolerância religiosa, social ou intelectual. Historicamente, o movimento trabalhou para o estabelecimento e a perpetuação de uma condição na qual todas as pessoas possam livremente seguir seus próprios caminhos para a iluminação.

Como vocês definem o Rosacrucianismo? É uma religião?

Não. O Rosacrucianismo transcende dogmas religiosos e busca expressar os aspectos místicos de todas as religiões. Encorajamos todas as pessoas de todas as fés a seguir suas crenças de acordo com suas próprias consciências.

Definir o Rosacrucianismo em terminologia objetiva é uma tarefa bastante desafiadora. A causa disso assenta-se na própria natureza do Rosacrucianismo, que foi planejado, desde seu início, para ser desafiador e evasivo. Em seu próprio âmago, o Rosacrucianismo é um Movimento que às vezes se solidifica em uma Ordem. O Movimento é a respeito das liberdades humanas fundamentais, onde a liberdade de ir ao encalço da verdade e da Luz fica no topo da lista. É também a respeito de todo um processo de treinamento e “elevação” do indivíduo nos sistemas e técnicas Rosa-Cruzes, de forma que ele possa se tornar proficiente na aplicação do conhecimento. Tal treinamento é baseado na liberdade dos estudantes para seguir os ditames de suas consciências, que permite que a aplicação de seus conhecimentos se ajuste às suas próprias personalidades e objetivos.

Como o Imperator anterior Ralph Lewis uma vez disse, “O Rosacrucianismo não é um assunto particular, mas, mais apropriadamente, o avanço do espírito e a aplicação do conhecimento.” Um outro aspecto deste assunto pode ser encontrado no artigo “Rosacrucianismo” publicado neste website.

A CR+C ensina misticismo Cristão?

Sendo uma ordem mística, a CR+C ensina uma abordagem mística para a busca espiritual do estudante. É um processo de despertamento para aquele ou aquela que já somos, para nossa essência espiritual. Este processo de misticismo é universal e está além, ou é independente de qualquer religião. Se existe ou existiu qualquer relação entre os dois, esta relação tem sido a do misticismo influenciando o pensamento religioso.

Talvez exista alguma confusão a este respeito que advém do nome do fundador do Rosacrucianismo. O Pai CRC (Cristão da Rosa-Cruz), por nascimento e formação, era Cristão. Após sua viagem para o Oriente e após formar a primeira célula Rosa-Cruz, ele escolheu apresentar alguns dos conceitos Rosa-Cruzes no contexto da religião dominante de sua época, o Cristianismo. Mais tarde, seus sucessores mantiveram o nome de CRC em respeito ao seu fundador e à Tradição R+C. Apenas esses fatores poderiam ser responsáveis por uma associação imprópria, tipicamente efetuada por um leitor casual, do “misticismo Cristão” com o Rosacrucianismo.

O que há sobre os Rosacruzes que ainda atrai a atenção pública?

Poderia haver algumas razões para essa atração. Um bom lugar para começar é olhar para o renascimento do Movimento Rosa-Cruz na Europa do século XVII. O que é significativo sobre isso é a época da publicação dos manifestos Rosa-Cruzes, a qual, juntamente com o clima político e religioso da Europa medieval, fornece algumas pistas para a resposta. Por muitos séculos a Europa esteve nas garras de uma opressão sem precendentes da liberdade de pensamento, de ciência, de religião, e da busca individual da verdade. Estima-se que muitos milhões de pessoas — homens, mulheres e crianças — foram mortos pelas cruzadas organizadas contra aqueles que tinham um ponto de vista diferente (“hereges”), ou queimados amarrados a estacas pela Inquisição. Esta foi a Idade das Trevas da Europa e da civilização humana. A Europa precisava de uma mudança, de uma restauração das liberdades na sociedade e de uma instituição tradicional para guiar a humanidade em direção à verdade espiritual e à iluminação pessoal. Foi quando os Rosa-Cruzes surgiram em cena. Os manifestos Rosa-Cruzes foram um desafio aberto para a opressão religiosa da Europa, e seu objetivo fundamental foi o de restaurar as liberdades. Adicionalmente, os manifestos ofereceram um processo e uma orientação específicos para uma reforma educacional, moral e científica da sociedade.

Para sua própria sobrevivência, a Ordem teve que operar em total segredo. Este simples fato gerou uma multiplicidade de especulações sobre a Ordem, e tornou-a vulnerável às falsas informações difundidas pelos inimigos da liberdade. Hoje, ainda existem em circulação algumas daquelas estórias que têm mais a ver com fantasia do que com a realidade dos Rosa-Cruzes. Essa realidade é, e sempre foi, o estabelecimento e a perpetuação de uma condição onde todos tenham uma oportunidade de, livremente, ir ao encalço da Verdade em conformidade com sua própria consciência. Em essência, e provavelmente em um nível subconciente, isto é algo que continua atraindo a atenção pública.

Qual é a linhagem da CR+C?

Nossa linhagem R+C remonta ao Dr. H. Spencer Lewis, que recebeu esta linhagem na Europa. Existem outras linhagens R+C, originadas no cisma Rosa-Cruz do século XVII, que estão sendo perpetuadas por diferentes organizações Rosa-Cruzes.

Os seus ensinamentos incluem os ensinamentos R+C originais de H. Spencer Lewis? Se incluírem, são eles diferentes das versões posteriores desses ensinamentos editadas pela AMORC?

A CR+C oferece os originais. É verdade que os ensinamentos originais de H. Spencer Lewis (referido daqui em diante como HSL) diferem daqueles editados pela AMORC nos anos posteriores. Para ajudar a chegar a uma compreensão adequada das diferenças, gostaríamos de oferecer a estória desses ensinamentos, relatada pelo Imperator Gary L. Stewart para um dos indagadores, que foi adaptada para se ajustar ao formato destas páginas.

HSL começou a escrever as monografias em 1915 e escreveu à razão de aproximadamente uma por semana, entretanto em 1916, 1917 e 1918 seus escritos foram muito irregulares. Ele continuou escrevendo até a sua transição em 1939, até cerca da metade do 12° Grau. Assim, quando utilizamos o termo monografia “original”, o Grau a que estamos nos referindo é também relevante. Uma monografia original do 12° Grau poderia ser de 1938 ao passo que uma monografia original do Primeiro Grau teria sido de 1918. Na década de 1930 quando as monografias começaram a ser submetidas a revisões, isso naturalmente somente se aplicaria às monografias escritas anteriormente à data da revisão. (Entretanto, nas monografias da CR+C, Gary L. Stewart em seus adendos claramente indica o que aconteceu com uma monografia em particular.)

As revisões na década de 1930 significavam principalmente que parágrafos adicionais eram anexados e muito raramente algo era suprimido. Os conceitos não eram alterados, necessariamente, mas em muitos casos, eles eram confundidos e, conseqüentemente, instigaram alterações posteriores. Não foi realmente até a década de 1940, mas principalmente nas décadas de 1970, 1980, e agora na década de 1990, que as maiores alterações conceituais começaram a tomar lugar.

Antes de 1924, não havia afiliação de sanctum domiciliar e os membros tinham que ir a uma Loja para receber suas instruções oralmente. Em 1924, a Ordem começou a centralizar e começou a afiliação de sanctum domiciliar onde os membros recebiam as monografias pelo correio. Por volta dessa época, as monografias foram editadas para refletir a nova estrutura. Coisas como “e agora o Mestre deve ler este parágrafo novamente…” foram alteradas para “e agora você deve reler o parágrafo anterior”. Este tipo de edição foi feito por outros e não por HSL, pois ele estava comprometido em escrever novas monografias. Por um período de tempo, os editores começaram a alterar e a confundir alguns dos assuntos doutrinários tentando “clarificá-los”, para ajudar a explicar tópicos “difíceis”, mas na realidade eles começaram a confundir e a alterar as coisas. Foi principalmente nas décadas de 1970, 1980 e então na década de 1990 que as maiores alterações conceituais tomaram lugar.

Como um exemplo de algumas dessas alterações, na década de 1930 a AMORC começou a adotar a palavra “psíquico” para substituir “Espírito” (algumas vezes a palavra ‘astral’ substitui ‘psíquico’). Ao assim fazer, eles como que perderam a totalidade e o escopo do que o Espírito humano é (ou, neste caso, o corpo psíquico).

Olhando para as alterações conceituais, foi na década de 1940 (após a morte de HSL) que a AMORC começou a enfatizar uma abordagem mais científica para o Rosacrucianismo — um tipo de exegese do estilo do século XVII do Rosacrucianismo inglês defendido pelo método indutivo de Sir Francis Bacon, que estava em contraste com o Rosacrucianismo holandês e francês que enfatizavam o misticismo puro, e com o Rosacrucianismo alemão que tendia mais para o trabalho alquímico. Na década de 1960, a AMORC começou adotar uma interpretação mais psicológica Junguiana para o misticismo, que, em minha opinião, tem pouco a ver com o pensamento Rosa-Cruz tradicional e clássico. Depois de 1990, aquele estilo foi reinterpretado pela AMORC atual. A AMORC fia-se no dualismo intelectual como sendo a fundação para sua abordagem epistemológica e ontológica. A CR+C, por outro lado, perpetua a tradição Rosa-Cruz anterior ao século XVII de misticismo puro que foi mantida no século XVII pelos Rosa-Cruzes franceses e holandeses. Esta foi a linhagem que por fim iniciou H.Spencer Lewis, e esta é a abordagem que ele primeiramente deu aos ensinamentos da AMORC, de 1918 até sua morte em 1939. Esta é também a abordagem seguida pela CR+C.

Doutrinariamente, somos o que pode ser filosoficamente classificado como místicos panteístas (como oposto a dualistas racionais), que operam no mundo objetivo seguindo uma manifestação trina epitomada pela Lei do Triângulo. Resumindo, acreditamos na natureza trina do ser humano como sendo composto de corpo, espírito e alma com a mente intelectual sendo parte do corpo e a mente intuitiva sendo um aspecto da combinação espírito/alma. A AMORC, por outro lado, vê as coisas como dualistas — corpo e alma. Essa seria provavelmente a principal diferença entre a CR+C e a AMORC atual no que concerne à doutrina, mas há um número interminável de outras e menos importantes diferenças também — como foi no caso no cisma da interpretação Rosa-Cruz do século XVII. A CR+C segue a linhagem expressada pelo pai CRC nos séculos XIII e XIV.

Em minha opinião (do webmaster), os ensinamentos da CR+C, que incluem os escritos originais de HSL e os adendos de Gary L. Stewart, são uma jóia entre os ensinamentos R+C de hoje. Em parte, isto é assim por causa da linha bem clara de misticismo mantida unida pelos adendos de Gary L. Stewart.

Qual é a posição oficial da CR+C sobre assuntos de religião e de afiliação política?

Não existe tal coisa como uma posição oficial da CR+C sobre um dado assunto. Nós não dizemos aos estudantes o que pensar, mais exatamente, ensinamos a eles como pensar. Nosso propósito é ajudar os estudantes a se tornarem pensadores e filósofos independentes que moldam suas próprias concepções e crenças.

Por que existem muitas Ordens Rosacruzes, e como posso saber qual delas é a verdadeira?

Para responder esta questão, gostaria de parafrasear a resposta de Gary L. Stewart a uma pergunta similar.

A “Ordem” Rosa-Cruz verdadeira é a que está no coração da pessoa, significando que um Rosa-Cruz verdadeiro pode existir em qualquer Ordem. A organização é meramente um veículo no qual a essência da R+C se manifesta. Em outras palavras, uma organização, em virtude do propósito e dos motivos de seus membros pode penetrar na essência R+C e ser verdadeira. Justamente por isso, uma organização pode se perder se seus membros esquecerem o que é importante. Com isto em mente, vamos examinar como uma organização Rosa-Cruz vem a existir.

O Rosacrucianismo é um movimento tradicional e iniciático que às vezes se solidifica em uma ordem ou organização por um periodo de tempo. Isto significa que um indivíduo ou um pequeno grupo de indivíduos que tenha sido adequadamente treinado e iniciado no sistema Rosa-Cruz trabalharão juntos para um propósito e objetivo comuns. Eis como efetivamente algumas das Ordens Rosa-Cruzes começaram no início do século XX — como a AMORC, a Fraternidade Rosa-Cruz, a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz original, etc.

O que verdadeiramente é indicativo da autencicidade de uma organização Rosa-Cruz (além de sua linhagem), é a atitude expressada por aquela organização e seus feitos. A tradição R+C é muito específica a respeito desses aspectos. Portanto, podemos dizer que o que torna uma Ordem Rosa-Cruz verdadeira são os membros, o que eles têm em seus coracões, e não a administração. As organizações, que podem ser comparadas ao corpo fisico, tendem a envelhecer, corromper-se e por fim morrer. Contudo, devemos lembrar que a tradição e a iniciação que levam ao autodesenvolvimento interior do indivíduo sincero são a Alma e o Espírito do caminho R+C. Isto é o que perpetua o Movimento Rosa-Cruz a despeito do que uma organização faz ou não faz.  

Com isto em mente, não deveria ser realmente de todo surpreendente que existam muitos grupos Rosa-Cruzes por toda parte. Alguns são legítimos em virtude da atitude expressada, e isto significa que eles são abertos e tolerantes, encorajam seus membros a buscarem a verdade e a aplicarem de acordo com a interpretação individual, não são opressivos, supressivos, arrogantes, etc. Alguns são falsos porque esses ideais não estão adequadamente representados. Para descobrir qual é qual você precisa ser cauteloso com eles. Um bom conselho seria avaliar o mérito de uma Ordem através de como você a intui e por como seus membros respondem às suas indagações. Uma Ordem genuína tentará responder suas perguntas tão aberta e honestamente quanto possível; eles não tentarão lhe influenciar de uma forma ou de outra, e não se dirigirão a você com condescendência desdenhosa (por exemplo: “não podemos discutir tal e tal assunto com você porque você não estudou nossos Graus superiores, porque você não é um membro, etc.”).

Também, mantenha em mente que há diferentes tipos e linhagens de Rosacrucianismo e, na maioria, a dissensão vem das diferenças na interpretação da ontologia R+C. Mas aquilo que é realmente o sinal de identificação do verdadeiro Rosacrucianismo é a enfase na liberdade e na responsabilidade pessoal. Se você constatar qualquer tipo de supressão desses princípios em qualquer grupo R+C, então saberá que aquele grupo não representa o ideal Rosa-Cruz nem qualquer de suas linhagens tradicionais.

Quais, vocês diriam, são as principais diferenças entre a CR+C e as outras Ordens Rosacruzes?

A CR+C não conduz estudos ou comparações de ordens Rosa-Cruzes existentes. Supomos que cada ordem faz o seu melhor para representar os ideais da tradição R+C. Nós escolhemos focalizar nossos esforços no futuro do movimento Rosa-Cruz e no cumprimento de seus objetivos. À luz da afirmação acima, só podemos reinteirar nosso próprio comprometimento com as Leis da R+C como apresentadas no Fama Fraternitatis, e com os manifestos R+C do século XVII como documentos fundadores. À mesma luz, escolhemos perpetuar os ensinamentos Rosa-Cruzes originais como foram inicialmente apresentados pelo Imperator H. Spencer Lewis (começando em 1915). Resumindo, nossa intenção é executar um Trabalho qualitativo de forma discreta.

Posso ser um membro da CR+C e manter minha associação com uma outra ordem esotérica?

Sim, você pode ser membro da CR+C e de uma outra organização. Entretanto, espera-se que você mantenha o juramento e as obrigações que assumiu para si na outra Ordem, assim como na CR+C. Mantenha em mente que qualquer idéia de limitar as afiliações de um membro é contra os ideais da Tradição Rosa-Cruz e especificamente contra o ideal da livre busca da verdade e da Luz.

Qual é a relação entre a O.M.C.E. e a CR+C?

A O.M.C.E. (Ordo Militiae Cruciferae Evangelicae) e a CR+C são Ordens separadas, embora estreitamente aliadas. Nós nos referimos a elas, juntamente com a Ordem Martinista Britânica, como Confraternidades.

O que aconteceu entre o Imperator Gary L. Stewart e a AMORC?

O que aconteceu em 1990 entre Gary L. Stewart e a AMORC é uma estória um tanto complicada, em si e por si mesmo, sem contar com todo rumor e propaganda que a tem cercado. Colocado de forma simples, Burnam Schaa, como representante de Christian Bernard e dos Grandes Mestres, moveu uma ação judicial civil contra Gary L. Stewart e alguns outros acusados, alegando que ele (eles) desviou (desviaram) dinheiro. Enquanto o caso estava sendo conduzido pelo tribunal, a Diretoria da AMORC exonerou o Imperator Gary L. Stewart. Três anos mais tarde (1993), a AMORC desistiu de sua ação contra Gary L. Stewart e admitiu que ele não era culpado de qualquer delito. Nesse meio tempo, a AMORC dissolveu sua entidade corporativa que tinha existido desde 1927, reincorporou no Canadá como uma nova entidade, formou uma nova corporação na Califórnia, deixou de ser uma Ordem fraternal, e redefiniu o “Imperator” de ser o chefe tradicional de uma Ordem para ser somente o presidente da nova corporação da AMORC. Então, a Diretoria elegeu Christian Bernard como o novo Imperator da AMORC.

Este assunto é um tanto complicado e longo e deveria ser considerado com mais foco. Eu recomendo fortemente que um pesquisador deva obter ambos os lados da estória daqueles diretamente envolvidos e não confiar somente no que eu digo aqui.

O que é importante hoje é lembrar do Trabalho que todos os Rosa-Cruzes foram encarregados de continuar. Na CR+C não estamos tão interessados com o que aconteceu no passado, exceto em como isso afeta nosso Trabalho no presente e no futuro. A forma como vemos isso é que se for para a nossa geração do Rosacrucianismo atingir qualquer coisa, não podemos estar envolvidos em mesquinhez.

Como é que o Imperator Gary L. Stewart representa a linhagem do Dr. H. Spencer Lewis, o fundador da AMORC, quando o atual Imperator da AMORC é Christian Bernard?

A resposta para esta pergunta repousa nas diferenças de definição do Ofício de Imperator pela AMORC de hoje e pela linhagem e movimento R+C que geraram essa organização.

Para fornecer uma resposta mais detalhada a essa pergunta podemos querer começar com algumas reflexões sobre o Movimento Rosa-Cruz e a linhagem R+C da AMORC (trazida por H. Spencer Lewis) e o papel do Imperator.

Podemos olhar para o Rosacrucianismo como um movimento que tem uma “alma” e um “espírito” (a Tradição R+C e a iniciação) e um “corpo” (uma organização Rosa-Cruz) para se expressar. Enquanto os “corpos” vêm e vão, a “alma” e o “espírito” permanecem. Podemos encontrar essa dinâmica evidente na história dos Rosa-Cruzes e no número de organizações físicas que eles tiveram. Para assegurar que, com o passar do tempo, as pessoas não alterarão a Tradição R+C e seus Ensinamentos, um sistema de preservação foi colocado em ação. Na linhagem de H. Spencer Lewis e em várias outras, este sistema foi incorporado no Ofício tradicional do Imperator. O indivíduo que possui o Ofício de Imperator é responsável não só pela preservação da pureza dos ensinamentos R+C e pelo asseguramento de que a organização siga o código R+C, mas pela garantia de uma continuidade da missão R+C no futuro. Ele ou ela deve sempre ser escolhido e preparado para o Ofício pelo Imperator precedente.

Podemos olhar um Imperator como uma pessoa dotada de uma responsabilidade vitalícia.

A linhagem R+C da AMORC foi nela introduzida por H. Spencer Lewis. Ele escolheu e treinou seu filho Ralph, a quem transferiu a função de Imperator quando de sua transição deste mundo em 1939. O Imperator Ralph Lewis então escolheu e preparou Gary L. Stewart, e transferiu a função de Imperator para ele.

Após os eventos da AMORC de 1990, Gary L. Stewart removeu o Ofício de Imperator da AMORC. Deixar a AMORC não era exatamente a idéia do Imperator naquela ocasião, mais exatamente, ele foi forçado a fazê-lo. Resumidamente, ele foi processado por Christian Bernard e pelos Grandes Mestres por desvio de dinheiro. Três anos mais tarde eles desistiram da ação contra Gary L. Stewart e admitiram que ele não era culpado de qualquer delito. Nesse meio tempo, eles alteraram a Constituição da AMORC, cessaram de ser uma Ordem fraternal, dissolveram a entidade corporativa da AMORC, que tinha existido desde 1927, reincorporaram no Canadá como uma nova entidade e formaram uma nova corporação na Califórnia. Mais importante, eles redefeniram o “Imperator” de ser o chefe tradicional de um Movimento Rosa+Cruz para ser somente o presidente da nova corporação da AMORC. Então, a Diretoria elegeu Christian Bernard como o novo Imperator da AMORC.

A questão aqui é que as regras Rosa+Cruzes tradicionais de transferir a função de Imperator e sua linhagem, ou provar um delito do Imperator, nunca foram aplicadas neste caso.

Na verdade, não importa realmente se a AMORC chama Christian Bernard ou qualquer outra pessoa de Imperator. É a escolha deles. Entretanto, é preciso compreender que, seja qual for a linhagem que Christian Bernard tenha, não é a de H. Spencer Lewis.

O que faz de alguém um Rosacruz? É em função de sua associação com uma Ordem em particular?

Os Rosa-Cruzes são determinados pelo que eles são em seus corações e não pelas organizações à qual pertençam.

Naturalmente, somente faz sentido que unir-se a uma Ordem R+C genuína e seguir seu sistema de estudo possa ajudar aqueles que querem se tornar Rosa-Cruzes.