Servindo os ideais do Movimento Rosa-Cruz

Proclamação proferida pelo Imperator por ocasião do Ritual de Ano Novo Rosa-Cruz executado durante a Primeira Convenção da CR+C no Brasil em 22 de Março de 2003

‘Irmãos e Irmãs,

Através dos séculos, a Ordem tem sido testemunha de quase todo esforço humano imaginável de ser concebido. Vimos a ascensão e a queda de sociedades e impérios, de ideologias filosóficas e políticas, de revoluções tecnológicas e industriais, de ações humanas que glorificam nossos atributos dados por Deus e outras ações que envergonharão esses atributos.

Verdadeiramente, como uma raça, somos pessoas diversas capazes de alcançar qualquer potencial ou executar qualquer ato. Individualmente, esta capacidade é também um truísmo e, se os motivos forem espiritualmente puros, nossas realizações são adicionadas à riqueza da evolução humana. Contudo, se esses motivos forem questionáveis, o efeito então sobre a civilização é aquele do apoucamento de nossos objetivos.

Compreensivelmente, as características de causa e efeito da influência individual variam de acordo com o potencial para influenciar de cada um — ou assim pode parecer. Mas, não é verdade que as conquistas de civilizações inteiras originaram-se nos sonhos de um único homem? Talvez aquele único homem tenha sido influenciado pelos resultados das ações de seus antepassados e pelos desdobramentos comportamentais de uma única sociedade, mas apesar disso, Alexandre, o Grande, Átila, o Huno, Gengis Khan e incontáveis outros foram bem-sucedidos onde todos os outros falharam. O que eles sabiam que outros não sabiam? O que eles não sabiam que levou suas ações a se manifestar na forma de guerra e destruição?

Eu acho que a fórmula é simples e é muitíssimo adequadamente expressa nas palavras do autor e soldado britânico T. E. Lawrence:

“Todos os homens sonham — mas não igualmente. Aqueles que sonham à noite, nos recessos empoeirados de suas mentes, acordam pela manhã para descobrir que o sonho foi ilusão. Mas os que sonham durante o dia são homens perigosos, pois podem desempenhar seus sonhos com os olhos abertos e torná-los possíveis. Isto eu fiz”.

 Os homens que inspiraram conquistas, os homens e mulheres que, através de seus sonhos e ações, inventaram, produziram, escreveram, estabeleceram, curaram, ajudaram, e receberam orientação espiritual, foram todos indivíduos que ousaram não apenas sonhar, mas agir naqueles sonhos com volição confiante.

O que foi que o ativista americano para direitos humanos Martin Luther King Jr. disse? “Eu tenho um sonho...” Pode ser verdade que ele, como indivíduo, não esteja mais conosco, mas não é mais verdade que seu sonho está mais vivo do que uma única vida em si mesma? Não vemos hoje os resultados das ações de Lawrence?

O que fez essas pessoas diferentes de todas as outras? É simples: elas escolheram empreender uma ação decisiva. Seus sonhos não eram apenas deles. Seus sonhos eram compartilhados e compreendidos por muitos — mas esses muitos nunca escolheram agir sem liderança.

Por que ocorre que os sonhos de alguns resultam em destruição e manifestam os atributos mais desprezíveis da vida humana? Como pode alguém com tantas nobres qualidades e visível confiança contribuir para características humanas degeneradas? Novamente, acho que a fórmula é simples e pode ser resumida em uma palavra: motivo.

Todos temos a capacidade de escolher e devemos todos escutar os argumentos conflitantes que lutam dentro de nosso ser. Mas em última análise, ao final, nós escolheremos. Se nossa escolha for aquela da ganância, então nossas ações servirão para degradar a condição espiritual humana. Mas se nosso motivo for servir, então nossas contribuições glorificarão nossa espiritualidade e nossas ações se manifestarão como indispensáveis.

É assim simples. Nós nos permitimos a ousadia para sonhar, escolhemos nosso motivo e prosseguimos para executá-lo. No que diz respeito a mim, posso não ter a habilidade — o que realmente não importa — mas tenho a ousadia e fiz minhas escolhas. O que você fará?

Sim, o Movimento Rosa-Cruz tem sido testemunha de quase todo esforço humano imaginável de ser concebido. Existimos em terras devastadas pela guerra, servimos em tempos de paz e prosperidade, fomos perseguidos e até mesmo experimentamos o conflito interno da guerra civil forjada pela escolha do motivo.

Contudo, apesar de tudo o que vimos e fizemos através dos séculos como raça humana, o Movimento Rosa-Cruz ainda está aqui. Neste momento em particular, não estamos apenas aqui, estamos celebrando um novo ano de nosso Trabalho e instalando novos oficiais para liderar em nosso objetivo de ajudar a manifestar a Luz de Deus. Este fato diz tudo. Este fato nos diz que, como um Movimento, ainda estamos florescendo e escolhemos agir com a pureza de motivo que emana de nossos sonhos.

À medida que partilharmos dos elementos em nossa celebração, devemos, cada um de nós, fazer um voto de renovação de nosso objetivo. Devemos, cada um de nós, redespertar nossos motivos e reconfirmar que eles sejam puros. Devemos agir com a confiança de nosso serviço e nos relembrarmos do processo iniciático severo que nos trouxe até este ponto. Somente quando soubermos disto em nossos corações, poderemos verdadeiramente sonhar nosso futuro e incumbir nossos oficiais de liderar no estabelecimento de nossa visão.’

Nos laços da Paz Profunda,

Gary L. Stewart
Imperator
CR+C