Escrito por Gary L. Stewart
Considero um tanto ingênuo afirmar que as tradições como agora as temos nas compilações de nossa história representam de forma não adulterada as apresentações originais. Tanto os transmissores quanto os colecionadores (iniciadores e iniciados) inventaram e fizeram circular narrativas em larga escala. Isto foi executado precisamente através de um processo de compilação e sistematização, de expansão e abreviação, de invenção da cronologia a da ordem dos acontecimentos, da omissão e da criação, e através de outras tais manipulações.¹
Mas precisamos ser claros quando começamos a fazer acusações acerca de charlatanismo e falsificações. Em minhas observações, são os charlatães que tendem a ser os mais acusadores acerca do alegado charlatanismo de outros, uma vez que estão mais preocupados com seus próprios motivos em vez de com o que está acontecendo no ambiente no qual vivem... e quando nos referimos a "falsificações" no contexto das tradições historiográficas, sejam orais ou escritas, devemos compreender precisamente o que isso significa, pois de outra forma iremos alegremente nos lançar exatamente no mesmo disparate de seguir uma fantasia conforme tem sido cegamente feito desde, francamente, o século XVII quando a Francomaçonaria e o Rosacrucianismo como sociedades secretas estavam sendo formados. A falsificação, conforme abordo este assunto, refere-se aos resultados do trabalho dos transmissores e não aos seus motivos. Isto é, não se quer transmitir a noção de que os tradents* trabalhavam com o objetivo deliberado e consistente de produzir narrativas falsas ou que induzissem ao erro acerca de acontecimentos passados, mas, em vez disso, afirmar que o resultado da maneira pela qual eles lidaram com seu material foi apresentar uma imagem de acontecimentos iniciáticos ou históricos que era grandemente distorcida ou mesmo inteiramente errada.
Além disso, a falsificação do registro histórico não resultou de qualquer ação em particular (a menos que fosse por concepção intencional), mas, em vez disso, de um longo processo — um processo que começou cedo, mais ou menos bem no começo da tradição histórica.² Como nas compilações genealógicas, devemos lidar com o paradigma da lacuna flutuante³ (uma memória de três gerações, após o que a acuidade da lembrança, seja a partir de fontes orais ou escritas, se torna obscurecida e começa a se desvanecer tanto da memória individual quanto da coletiva). Dessa forma, os compiladores como também os colecionadores em um ponto intermediário, mesmo embora possam introduzir seu próprio material, devem ser considerados principalmente como elos em uma longa cadeia de tradents lidando com material recebido e não como os indivíduos em particular responsáveis pelas apresentações tendenciosas de nossa história tradicional.
Como exemplo desse processo, refira-se às fontes relativas à história Normanda listadas abaixo em "fontes utilizadas". Examinando o método de Dudo St Quentin em sua tentativa de estabelecer uma base para uma nova Casa aristocrática na Normandia para o dinamarquês Rollo, encontramos um exemplo de como esses erros podem ser incorporados em uma linhagem. Dudo foi empregado pelo filho de Rollo, Ricardo, para o propósito de criar, estabelecer e legitimar uma linhagem aristocrática que seria aceita pelas Casas Reais da Europa. Em que outras Casas gabavam-se de descendência do Imperador Carlos Magno, apresentou-se a Dudo um problema bastante real de que o recém-chegado Rollo nunca seria aceito pelas outras Casas como sendo um descendente adequado e um par legítimo do reino. Para fazer frente a essa dificuldade, Dudo se voltou para a obra de Eusebius, Life of Constantine⁴, e a partir dessa fonte fabricou uma descendência a partir daquele Imperador do século IV. Com o passar do tempo, essa história falsificada foi mais elaborada por outras pessoas que fizeram referência a Dudo, incluindo material adicional fabricado introduzido por Wace⁵, e então, uma vez mais, a reconstrução de uma nova história com ainda mais material infundado foi, muitos séculos mais tarde, incorporado por Snorri Sturluson (1179-1241) nas Sagas Islandesas. Snorri, depois de se basear nas obras de Dudo St Quentin e de Wace como suas fontes principais para a história continental, introduziu adicionalmente elementos extraídos da Orkneyinga Saga em sua versão da Saga of Harald Fairhair na Heimskringla. Essa "história" torna-se então uma das muitas fontes utilizadas para compilar o Flateyjarbók, cuja versão original foi encomendada por Jón Hákonarson por volta de 1394, e produzida pelos padres e escribas Jón Þórðarson e Magnús Þórhallsson. Estas e outras fontes são ainda hoje citadas por muitos pesquisadores como sendo uma descrição acurada e verdadeira do registro histórico, mas na verdade constituem pouco mais do que exemplos de um erro sendo ainda perpetuado — o mais flagrante sendo que Göngu-Hrólfr fosse filho de Jarl Rognvald Eysteinsson de Møre (Noruega) e fosse identificado como sendo o personagem de Rollo. Isso quer dizer que o norueguês Göngu-Hrólfr, da Ilha de Lewis nas Hébridas Exteriores da Escócia foi identificado como sendo o dinamarquês Rollo da Scania. Para acomodar essa fusão de personalidades, fontes posteriores foram corrigidas para refletir a nova perspectiva. Isso inclui a mais recente versão da Orkneyinga Saga⁶ onde é adicionado que Göngu-Hrólfr é o filho mais novo de Jarl Rognvald Eysteinsson de Møre. É também atribuído a Rognvald, o alegado pai, ter estado envolvido na fundação do Condado de Orkney, mesmo embora tenha sido seu irmão, Sigurd, quem se tornou o primeiro Jarl. Estes exemplos ilustram erros históricos, quer originalmente cometidos pelo autor, quer a partir de traduções ou transcrições de compiladores posteriores.
Wace, mencionando Jordanes como um local, coloca Rollo corretamente como vindo da Scania (uma ilha ao largo da Dinamarca)⁷ enquanto um copista da obra Roman de Rou escrita por Wace, substituiu "Scania" por "Ecosse" (Escócia)⁸, talvez intencionalmente, mas provavelmente como um erro. No relato de Dudo, Rollo foi erroneamente identificado como Göngu-Hrólfr, não por Dudo, mas sim por tradents posteriores, muito provavelmente como resultado de não possuírem o nível adequado de literacia em latim⁹. Diversos relatos descrevem Göngu-Hrólfr, filho de Oxen-Thorir, como sendo um viking norueguês muito grande. Em virtude de uma tradução errada da palavra "equitare" na obra History¹⁰, de Dudo, a referência ao seu tamanho fez com que muitos associassem essa referência com Rollo, fundindo por meio disso duas pessoas separadas como sendo uma única pessoa. Enquanto a palavra "equitare" se traduza adequadamente no contexto da frase como "muito velho para atuar em campanhas", ela foi mal traduzida para significar "muito grande para cavalgar"¹¹ contribuindo por meio disso para o erro de identificar Rollo com Göngu-Hrólfr. Mesmo assim, a ascendência de Göngu-Hrólfr está claramente indicada na Laxdaela Saga¹², mas está errada na Orkneyinga Saga como resultado dessas inserções posteriores. Infelizmente, esses mesmos tipos de erros também se infiltraram em nossas próprias linhagens tradicionais demasiado frequentemente e precisam ser adequadamente tratados.¹³
Se pudermos olhar a tradição historiográfica fora do paradigma das "escolas" com o qual muitas pessoas se identificam, estaremos em melhor posição para reparar que, em primeiro lugar, cada uma das diversas compilações contém em si muitas contradições com relação à sua concepção de história e à sua apresentação dos acontecimentos, e, em segundo lugar, cada uma delas é frequentemente muito semelhante a outras compilações precisamente nos mesmos aspectos. O Martinismo de Papus, Chaboseau e ramificações subsequentes, por exemplo, exibem muitas contradições grosseiras com relação a fatos. O Martinismo também justapõe dentro de si mesmo relatos amplamente discrepantes baseados por sua vez em pressuposições históricas maiores e que estão claramente em conflito. Mas deixamos isso passar porque aceitamos que seus motivos são inquestionáveis e presumivelmente bons. Estendemos essa mesma aceitação para outros com os quais possamos estar em competição ou que de outra forma existam fora de nossa zona de conforto?
[a continuar: Tradições rosa-cruzes, tradições religiosas, outras tradições de sociedades místicas não estabelecidas como ordens]
Notas de rodapé
- A fragmentação do Martinismo no início do século passado é um bom exemplo desta ocorrência. Diferentes tradents possuíam diferentes conceitos com relação a como imaginavam que o futuro do Martinismo deveria ser, e cada um agiu de acordo com sua interpretação particular. Em pouquíssimos casos, decidiu-se permanecer tão próximo quanto possível da criação original, ao passo que na maioria dos outros casos decidiu-se que graus adicionais, rituais e orientação deveriam ser adicionados para ostensivamente produzir maior significado, mas que na realidade fez pouco mais do que expor a falta de compreensão possuída por alguns com relação à profundidade e plenitude do sistema conforme fora originalmente concebido. Entretanto, na historiografia do Martinismo, essas linhagens foram modificadas para acomodar as orientações divergentes, cada uma alegando originalidade — uma falsificação sem intenção... talvez.
- Noth, The Early Arabic Historical Tradition, A Source-Critical Study, página 6. Noth claramente identifica as complicações que são frequentemente ocultadas na tradição histórica. Essas complicações também se apresentam na historiografia dos sistemas iniciáticos e devem ser abordadas sem parcialidade.
- Ao elaborar minha posição acerca das linhagens, recorro ao paradigma da lacuna flutuante conforme ele é usualmente aplicado às pesquisas genealógicas. É lá que encontro muitos paralelos com a transmissão iniciática encontrada nas Ordens esotéricas e constato que ele é aplicável à nossa pesquisa nestes tipos de linhagens. Com o passar do tempo, usualmente em três gerações, a memória se desvanece e muita informação é esquecida. Isto é o que se quer dizer por "lacuna flutuante". Encontramos muitos exemplos semelhantes dentro das linhagens iniciáticas. A condição e a situação de um pai iniciador são, como resultado, frequentemente inteiramente mal compreendidas, mal interpretadas, desconhecidas e frequentemente condensadas após duas ou três gerações, e então mais tarde referidas erroneamente ao original como fontes. Isto é, a partir da fonte original, um tradent em um ponto intermediário da cadeia acrescenta ou subtrai algo daquela fonte original. Tradents posteriores se referem ao tradent anterior e citam essa pessoa como se ela tivesse acuradamente retratado a manifestação original. Isto é um tipo de raciocínio circular. Este exemplo pode ser mais ilustrado pela utilização desastrosa das Sagas Islandesas como sendo fontes acuradas na compilação da história medieval.
- Podemos encontrar vários paralelos quase idênticos entre a vida de Rollo e sua relação com seu pai, a forma pela qual ambos governaram, e outras semelhanças em partes da History of the Normans escrita por Dudo St Quentin quando comparada com a obra Life of Constantine escrita por Eusebius. Tantas semelhanças de maneira a concluirmos que elementos da vida de Constantino conforme retratada por Eusebius foram a fonte para a vida de Rollo conforme retratada por Dudo St. Quentin. Para uma comparação mais completa, veja também as obras de Pohl citadas abaixo.
- Veja Wace as Historian escrita por Houts para um relato mais detalhado acerca deste tópico, os problemas da literacia, e a utilização de prosa e verso nas obras históricas durante a Idade Média.
- A versão original dos relatos orais da Orkneyinga Saga foi escrita pela primeira vez antes de 1230 A.D.. Ela não incluía Göngu-Hrólfr como filho de Rognvald. Entretanto, a edição hoje utilizada inclui. Como isso veio a acontecer é que inicialmente a obra Heimskringla, compilada por Snorri em 1230 A.D. utilizando Dudo e Wace como suas fontes, inseriu Göngu-Hrólfr como filho de Rognvald e também o identificava erroneamente como sendo Rollo. Por sua vez, Flateyjarbók escrito em 1394 A.D. utilizava Snorri como sua fonte. Após o que, a versão mais recente e hoje freqüentemente utilizada da Orkneyinga Saga editada por Vigfússon em 1860 utiliza Flateyjarbók como sua fonte, inserindo por meio disso Göngu-Hrólfr na Orkneyinga Saga.
- "O mesmo imenso mar possui também em sua região ártica, isto é, ao norte, uma grande ilha chamada Scandza ..." Charles C. Mierow, Jordanes, Origins and Deeds of the Goths, I, 9 página. 3 e "Scandza separando a Alemanha e a Cítia. A ilha …" III, 17 página 5.
- "que Escosce passa o siz nes soulement ..." traduzido "com apenas seis navios, ele atravessou para a Escócia." Wace, The Roman De Rou, traduzido por Glyn S. Burgess, II, 190 página 14. Veja também, "Canza insula (R): 'ex Scanza insula' conforme ouvido sob ditado. Jordanes é a fonte para essa localidade (Scania, ou a totalidade da Escandinávia)" Christiansen, Dudo of Saint-Quentin, página 182, n. 63.
- Literacia em latim durante a Idade Média era frequentemente definida não pela habilidade de uma pessoa falar e escrever o idioma, mas sim pela habilidade dessa pessoa em empregar um literato — alguém que executasse essas tarefas para ela. Pohl, Dudo of Saint-Quentin's Historia Normannorum página 158; Bäuml, Varieties and Consequences of Medieval Literacy and Illiteracy, página 239 e páginas 246-7; Bachrach, Writing Latin History for a Lay Audience c. 1000 pág. 61.
- "Ele viveu por um período de cinco anos depois disso, incapaz de [cavalgar] em função da fraqueza de sua idade, 'sua força corporal exaurida' e mantendo seu reino pacificado em paz e segurança." Christiansen, Dudo of Saint-Quentin, II, 174, página 54
- "equitare non valens deve, em função do sentido de equitare no capítulo 23, significar 'incapaz de atuar em campanhas' em vez de 'cavalgar'; entretanto, a última interpretação foi utilizada por autores nórdicos posteriores para identificar Rollo com o heroi Göngu-Hrólfr (Hrólfr the Walker), pois ele era muito grande para se sentar em um cavalo (Orkneyinga saga capítulo 4 ligeiramente expandida por Snorri em Haralds saga Harfanga capítulo 24)." Christiansen, Dudo of Saint-Quentin, n. 223 páginas 197-198.
- "… Ganging Hrolf, filho de Ox-Thorir, que era um muitíssimo renomado 'Hersir' (senhor da guerra) a leste em Wick." (próximo a Oslo, Fjord). Laxdaela Saga, traduzida por Muriel A.C. Press, capítulo XXXII, página 39.
- Deve-se observar que nem todos os cronistas, historiadores ou tradents utilizavam fontes questionáveis ou reinterpretavam fontes existentes. No século XV, Walter Bower, Abade da Abadia Inchcolm na Escócia, documentou em Scotichronicon, Vol. 3, Livro V, pág. 25: "Segue aqui a geração dos Normandos, dos quais Rollo foi o primeiro duque, que surgiu de descendência dinamarquesa. Da Dinamarca, ele adquiriu o nome Rollodane. Rollo era o pai de William, William de Richard, Richard de Richard. Richard era o pai de Robert; Robert era o pai de William, o Bastardo." William, o Bastardo, é claro, era também conhecido como William, o Conquistador. Não obstante, a questão é que havia na época recursos disponíveis para escrever acuradamente crônicas de acontecimentos e cabia ao historiador ter um cuidado especial para encontrar essas fontes. Como era então, agora é. É responsbilidade do tradent, no interesse das gerações futuras, documentar sua história tão acuradamente quanto possível, especialmente quando existem discrepâncias conhecidas nos registros escritos. Um relato honesto e acurado vai mais além na geração de respeito por sua tradição do que um relato baseado em posição tendenciosa.
Glossário*
- tradent: Pessoa que é responsável por preservar e transmitir uma tradição (principalmente oral). Do latim, tradere: definição 6, passar ou transmitir informações, ensinamentos, ou tradição. Dicionário Oxford.
Fontes Utilizadas
- The Early Arabic Historical Tradition, A Source-Critical Study, Albrecht Noth (Princeton: Darwin Press, 1994)
- The Conquest of Arwād: A Source-Critical Study in the Historiography of the Early Medieval Near East, Lawrence I. Conrad, in Averil Cameron and Lawrence I. Conrad, eds., The Byzantine and Early Islamic Near East, I: Problems in the Literary Source Material (Princeton: Darwin Press, 1992) 317-401.
- Rollo of Normandy, D.C. Douglas; The English Historical Review, Vol. LVII No. CCXXVIII. – October 1942, 417-436.
- Dudo of St Quentin: History of the Normans, trans. Eric Christiansen; (The Boydell Press, 1998).
- Translatio imperii Constantini ad Normannos: Constantine the Great as a possible model for the depiction of Rollo in Dudo of St. Quentin's Historia Normannorum, Benjamin Pohl; Millennium, vol. 9 issue 1 (De Gruyter, 2012) 297-339.
- Dudo of Saint-Quentin's Historia Normannorum, Tradition, Innovation and Memory, Benjamin Pohl; (The University of York, York Medieval Press, 2015).
- Varieties and Consequences of Medieval Literacy and Illiteracy, F.H. Bäuml; Speculum, A Journal of Medieval Studies - Volume 55, No.2, April 1980 (University Chicago Press, 1980), 237-65.
- Writing Latin History for a Lay Audience c. 1000: Dudo of Saint Quentin at the Norman Court, Bernard S. Bachrach; Haskins Society Journal, Studies in Medieval History, 20 (The Boydell Press, 2009), 58-71.
- Wace as Historian, E.M.C. Houts; reprinted in History and Family Traditions in England and the Continent, 1000-1200, E.M.C. Houts (Ashgate Publishing, Ltd., 1999) 103-132. Originally published in Family Trees and the Roots of Politics, ed. K. Keats-Rohan (Woodbridge, 1997).
- Wace, The Roman De Rou, trans. Glyn S. Burgess (Société Jersiase, 2002).
- The Gesta Normannorum Ducum of William of Jumièges, Orderic Vitalis, and Robert of Torigni, Vol. I Books I-IV, ed. and trans. Elisabeth M.C. Van Houts © 1992; (Oxford Medieval Texts, Clarendon Press, Oxford 2003).
- The Gesta Normannorum Ducum of William of Jumièges, Orderic Vitalis, and Robert of Torigni, Vol. II Books V-VIII, ed. and trans. Elisabeth M.C. Van Houts © 1995; (Oxford Medieval Texts, Clarendon Press, Oxford 2003).
- Icelandic Sagas and Other Historical Documents Relating to the Settlements and Descents of the Northmen of the British Isles, Vol.1: Orkneyinga Saga and Magnus Saga, with Appendices, ed. Guðbrandur Vigfússon; (Eyre and Spottiswoode, London, 1887).
- Laxdaela Saga, trans. Muriel A.C. Press (Digireads.com, 2011).
- Heimskringla, History of the Kings of Norway, Snorri Sturluson, trans. Lee M. Hollander; (University of Texas, Austin, 2013. © 1964 by the American-Scandinavian Foundation).
- Flateyjarbók, En Samling Af Norske Kong-Sagaer, ed. Guðbrandur Vigfússon, Carl Rikard Unger (P.T. Mallings Forlagsboghandel, Christiania 1860) [trans. A Collection of Sagas of the Kings of Norway].
- Life of Constantine, Eusebius, trans. Ernest Cushing Richardson, Ph. D (Nicene and Post-Nicene Fathers, second series Vol. I (Hendrickson Publishers Marketing, 2012. Originally published 1890).
- Jordanes, Origins and Deeds of the Goths, in English Version, Part of a Thesis for Degree Doctor of Philosophy, trans. Charles C. Mierow (Princeton 1908)
- Scotichronicon, Vol. 3 Book V, Walter Bower, ed. and trans. John and Winifred MacQueen and D.E.R. Watt; © University of St Andrews, 1995 (Aberdeen University Press, 1995)